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Roda de Conversa sobre o Combate à violência doméstica

Uma ação do GT de Combate à Violência Doméstica do Comitê de Políticas Sociais e Educação

Publicação:

Roda de Conversa
Roda de Conversa

Com o objetivo de intensificar a divulgação de canais de denúncias e informações acerca do combate à violência doméstica, a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), em parceria com a Polícia Civil, Brigada Militar, Patrulha Maria da Penha, Cipave e a ong Themis, promoveu nesta sexta-feira, 11, uma roda de conversa para falar sobre o papel da comunidade escolar no enfrentamento da violência doméstica contra a mulher.

O evento teve como como público-alvo as Coordenadorias Regionais de Educação e contou com a participação da Promotora Legal Popular da Themis, Maria Guaneci Marques de Ávila, da delegada da Delegacia da Mulher de Porto Alegre, Tatiana Bastos, da Major da Brigada Militar, Karine Soares Brum, da diretora de Políticas Para as Mulheres, Bianca Feijó e da assistente social da Secretaria da Saúde, Andrea Volkmer. A mediação do evento foi feita pela coordenadora da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (CIPAVE), Sônia Dall'Igna.


Para dar início a conversa, a primeira painelista, Maria Guaneci, afirmou que sempre que surge algum convite à Themis, ong que atua na defesa e promoção dos direitos das mulheres, elas não medem esforços para estarem presentes. “Já fomos em diversas universidades e escolas para falar dessa temática da violência contra as mulheres e, também, sobre a lei maria da penha.” Afinal, como dito pela mesma, "não adianta possuirmos uma lei maravilhosa como a Lei Maria da Penha, se os gestores não estiverem dispostos a abrir as portas dos seus espaços de educação e de saúde, para que seja possível tratar sobre esse assunto tão importante", destaca.

Maria Guaneci
Maria Guaneci

Em seguida, a assistente social da Secretaria da Saúde, Andrea Volkmer, retratou a importância do papel do professor em detectar sinais de violência doméstica e familiar. “Se o trabalhador não vê, não enxerga ali uma situação de violência, ele não vai registrar e notificar o ocorrido.” Ela também conta que a Cipave está administrando um projeto que tem como objetivo levar para dentro das escolas uma plataforma online que irá facilitar esses registros, podendo ser feitos por meio de um aplicativo. Se algum professor observa algum sinal de violência e conversa com o estudante, que por sua vez, acaba relatando, ele poderá realizar a notificação. Além disso, a vigilância também tem o compromisso de verificar se esse jovem envolvido chegou até o serviço necessário para receber auxílio.

Andrea Volkmer
Andrea Volkmer

Durante a sua fala, a Major da Brigada Militar, Karine Soares, ressaltou o quão necessário é trazer esse debate para dentro da escola. “Os senhores, professores e professoras, podem contribuir muito para a detecção dos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Os professores são captadores, são pessoas que trabalham com afeto e cuidado diariamente. São pessoas sensíveis que podem ajudar muito a rede de proteção contra a mulher”. Ela também destaca que esses profissionais, ao suspeitarem de um possível caso de violência, podem procurar a Patrulha Maria da Penha, que irá verificar o ocorrido, sempre por intermédio de profissionais capacitados e com uma abordagem correta.

Major Karine
Major Karine


A delegada Tatiana Bastos abordou a violência contra a mulher como sendo um tema que, por muitos anos, ocorreu de forma silenciosa, não tendo sido tratado com a sua devida importância. “Existe essa importância da gente falar, da gente problematizar e realmente poder desenvolver, para adolescentes, crianças e educadores, um juízo e olhar crítico sob essas situações de violência”.

Delegada Tatiana Bastos
Delegada Tatiana Bastos

Por último, a diretora do Departamento de Políticas para as Mulheres, Bianca Feijó, lembrou aos professores que, como profissionais da educação, não é papel ou dever deles investigar tais casos de violência. Ela realça o quão importante é respeitar o direito de escolha da vítima. “É necessário reforçar a linguagem dessa luta no âmbito escolar, para que seja possível que as próprias vítimas procurem espaços de justiça que possam garantir essa segurança e acolhimento.”

Bianca Feijó
Bianca Feijó

Com o encerramento das falas das painelistas, foi aberto um espaço para perguntas e respostas. Algumas questões foram levantadas, dentre elas, como é possível romper essa cultura de que a mulher sempre carrega a sua parcela de culpa em uma situação de violência e/ou abuso? Segundo a delegada Tatiana Bastos, tais comportamentos, como o ciúmes e o controle excessivo dentro das relações, são extremamente romantizados. “É preciso desconstruir isso e, cada vez mais, reforçar a ideia de que já somos seres completos e inteiros, sem precisar de alguém para saciar a nossa autonomia. É preciso, dentro do ambiente escolar, desnaturalizar tais práticas abusivas”.

Texto: Giovanna Sommariva

Revisão: Sue Gotardo

SJCDH - Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos